O Peso da Bondade: Por que quem recebe demais sente raiva?
Parece uma contradição: como alguém pode sentir irritação ou até fúria por ser "bem cuidado"? No senso comum, a gratidão deveria ser a única resposta. Mas, na visão sistêmica de Bert Hellinger, em seu livro Pensamentos a Caminho, o excesso de generosidade sem equilíbrio pode se tornar uma prisão emocional.
A Dívida que Sufoca a Alma
Hellinger nos ensina que o equilíbrio entre o dar e o receber é o que mantém a dignidade nas relações. Quando alguém nos dá algo que não temos como retribuir — seja um cuidado excessivo, um sacrifício desmedido ou uma "ajuda" que não solicitamos — essa pessoa nos coloca, inconscientemente, em uma posição de inferioridade.
A raiva que surge em quem recebe não é ingratidão. É um mecanismo de defesa da alma para preservar a própria autonomia. É como se o sistema dissesse: "Ao me dar tanto, você me torna pequeno e me tira o direito de também ser capaz."
A Visão da Neurociência: Controle vs. Conexão
A ciência moderna, focada no trauma e no comportamento, explica que o cuidado invasivo pode ser interpretado pelo cérebro como uma forma de controle. Quando o outro faz tudo por nós, nosso sistema de "busca e recompensa" entra em colapso.
A falta de agência (a capacidade de agir por si só) desregula o nervo vago social. Em vez de conexão e segurança, o excesso de "bondade" ativa o sistema de defesa, gerando uma resposta de luta ou fuga. Para o cérebro, a dependência extrema é uma ameaça à individuação. Sem o equilíbrio do intercâmbio, a relação perde o viço e o ressentimento toma o lugar do amor.
Restaurando a Dignidade
Ajudar de forma equilibrada exige a humildade de dar apenas o que o outro pode integrar. A cura desses relacionamentos pesados passa pela coragem de dizer "não" ao excesso e "sim" à responsabilidade própria.
Se você se sente sufocado em uma relação onde "recebe tudo", ou se está exausto de dar e só colher distância, é hora de olhar para as leis ocultas que regem os seus vínculos.
Cida Medeiros
Psicoterapeuta Integrativa e Sistêmica
Como Facilitadora de Movimentos Sistêmicos, meu trabalho é ajudar você a identificar esses desequilíbrios que drenam sua energia vital. Através de Rodas de Cura e atendimentos individuais, navegamos pela sua Jornada de Autoconhecimento para que você recupere sua autonomia e aprenda a arte de relacionar-se com leveza.
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